Mar, oh mar, eis a minha inspiração, o barulho das ondas, a imensidão, a tranquilidade selvagem que transmite, o horizonte que faz imaginar. Perto dele, sinto-me renascer, ler, escrever, amar, sonhar......

O Boneco de Neve de Jo Nesbo, serão poucas mas incisivas as palavras para definir este livro de Nesbo, diabolicamente assustador e portentosamente viciante. Uma trama genial, não dá mesmo para parar, tal a velocidade dos acontecimentos que se vão sucedendo em catadupa, o suspense dos mesmos e a cativante escolha dos personagens.

Um livro colossal é A Boa Filha de Karin Slaughter. Simplesmente fabuloso este trhiler, o melhor policial que já li a par dos livros de Camilla Lackberg e Lars Kepler, mas com uma emoção extra. Está escrito de um modo minucioso, em que as emoções no preciso momento são descritas sublimemente, uma estória fabulosa, brutalmente triste, revoltante até, mas que em simultâneo demonstra um espírito de superação por parte das personagens. Tudo neste livro fica-nos colado, ele fala connosco....e mexe de tal modo, que nos questionamos, o que é o ser humano? Cabe aqui referir que a linguagem utilizada é livre e forte.

Um dos melhores, Berta Isla de Javier Marías. Romance brutal, escrita notável, argumento que comporta de tudo um pouco na vida das pessoas, o engano, a mentira, o segredo, o amor, a ausência, a guerra, a infidelidade, a amizade....Tudo isto num desenrolar perfeitamente brilhante. Introduções de estado de espírito intercalados com diálogos sinceros, reais. É realmente possível, passar para um livro, para umas páginas de beleza extrema o que se passa na vida das pessoas em contextos de limite extremo, mas rodeados de um querer, de uma humanidade pura e dura.Pode-se ser inimigo de si próprio, por ódio mas também por medo. Um livro arrebatador.

O segundo livro que li de Karin SlaughterSabes quem é?, conquistou-me pela sua maneira de escrever, um suspense incontinente, impressionantes os contornos desta estória, que como tinha acontecido ao ler o primeiro, junta um suspense gigantesco com uma linguagem forte e pormenorizada, a uma crítica social relativa às diferenças, neste caso, do acesso à saúde nos EUA......paixão irracional, mortes gélidas, pressão temporal constante, mescla de passado com presente, é realmente um romance violento e apaixonante.

Pensamento

Quando for grande, quero ser de outra maneira. Quero ser longe. Eu respondia: ninguém é longe. As pessoas são sempre perto de alguma coisa e perto delas mesmas. A minha irmã dizia: são. Algumas pessoas são longe. Quando for grande quero ser longe.

Valter Hugo Mãe, in A Desumanização

Todo o Mundo de Philip Roth, uma surpresa quando me o sugeriram, gigantesco, não em tamanho mas em qualidade, lido num ápice, fiquei colado a ele, virando cada página com  altíssima expectativa para as páginas seguintes. Trata-se de uma luta e/ou entrega a fim anunciado. Identifico-me até com a personagem, curiosamente! Com um irmão que tanto gostava, uma infância normal, os pais falecendo com oitentas, operado com nove anos a uma hérnia inguinal, três casamentos, um dos quais com parecenças com um dos meus, o que tive descendência, afastamento e injurioso, o gosto pelo mar, a necessidade de estar perto dele, a história clínica coronária. Enfim, uma história bem contada e tocante, extremamente tocante.

Um thriller arrepiante, Areias Movediças de Arne Dahl. Ufff, até ao fim, suspense de cortar a respiração numa história com argumento de uma violência emocional, não presente, mas parece que a vemos. Desde o bulliyng inicial até aos actos loucos de vingança à posteriori, vai um livro que nos acompanha desmesuradamente e não nos deixa espaço para respirar livremente. Realce óbvio para Sam Berger e Molly Slom, dois polícias de investigação que voltam as costas às formalidades institucionais e apesar da desconfiança inicial entre ambos, algo afinal, os ligava na adolescência e no alvo a abater, o vingativo criminoso. Atenção, no entanto, porque o autor deixa em aberto uma mais que provável e ansiosa continuação, vamos ver, por agora, o aplauso para este enorme policial.

Não se trata do primeiro livro que li de Joël Dicker, mas superior ao anterior (O desaparecimento de Stephanie Mailer), este A verdade sobre o caso de Harry Quebert é fabulosamente marcante, o esquema é idêntico, passado numa localidade pequena, onde todo o mundo se conhece, um crime que nos vai levando para uma pista que logo no momento seguinte, é quebrada, e sucessivamente isso vai acontecendo. Um argumento entre personagens que se amam em 1975, amor impróprio devido à menoridade da rapariga, escritor falhado, miúda doente devido a uma educação doentia e com a religião presente de modo fundamentalista e mesmo exorcista e que finalmente aparece assassinada. O que sobressai no fim desta tortuosa história, é uma amizade inabalável, tipo pai/filho, entre o escritor incriminado e o jovem escritor que investiga este caso.

Joël Dicker! Este livro seguiu-se à visualização da série na TV

Extraordinário este livro de História, O Reino de Ferro, uma história da Prússia de Crhistopher Clark. Tudo que tem um início, tem um fim, por mais forte e gigantesco que seja! Um grande Império, não só em extensão mas sobretudo na marca indelével que deixou na História contemporânea, deixa sempre um leitor apaixonado por esta temática, preso a um enorme livro tanto na dimensão como na qualidade. Um reino com altos e baixos, momentos de paz e momentos de guerra, ora com a Áustria, ora com a França, ou ainda com a Suécia ou mesmo com ele próprio. Nobres e rurais contra os servos. Progressistas versus conservadores. Figuras incontornáveis, nomeadamente e sobretudo, Frederico o Grande, Bismarck, Otto Braun, Hindenburgo e finalmente o austríaco, Hitler, que destruíu a Alemanha, terminou o império prussiano, desfazendo-se.....de qualquer modo foi um período de grande importância da história europeia e com as repercussões que teve.

Cinzas de Grazia Deledda, um livro deliciosamente dramático, escrito por esta escritora que nasceu no séc.XIX. Os motores deste livro são, não por esta ordem, mas fazendo parte integral desta obra, a pobreza, a traição, o ciúme, a paixão, o abandono, o arrependimento, o sofrimento intenso, seja actual ou por antecipação, a amizade, o afastamento.....enfim, decorre numa Sardenha velha e pobre em que parece que o continente fica a uma distância épica. O abandono é, sem dúvida, o melhor tópico para um romance dramático e que nos dá o cheiro e a pista para um desenrolar delicioso de paixões e intrigas. Triste!

Pensamento

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

Nelson Mandela

Adoro História, nomeadamente História de Inglaterra, fascina-me, assim o livro Maria, a Rainha dos Escoceses de John Guy, é um fantástico livro em complemento do já lido sobre Isabel I, livro que descreve documentalmente com pormenor uma parte de extrema relevância da História da Inglaterra e da Escócia. A subida ao poder e a descida aos infernos de Maria Stuart, a rainha dos escoceses, por causa do constante duelo entre religiões, católicos versus protestantes, os ciúmes pela coroa britânica, e a infelicidade emocional, o não encontrar o ponto de equilíbrio que a levasse sem precipitações a cometer erros, aproveitados, não pela Isabel I, mas pelos seus sucessores para terminarem com a sua liberdade, em primeiro lugar e, depois com a sua vida em situações de humilhação total.

No Mundo das Trevas de Gitta Sereny, é uma viagem ao mundo mostruoso do ser humano, o que ele pode fazer ao seu semelhante só porque pensa de modo diferente. Fiquei siderado com este livro. Por mais que uma pessoa tenha conhecimento e lido acerca do nazismo e do extermínio de milhões de pessoas associado a esse regime, fica dolorosamente chocado com descrições verídicas e cruas, que nos permite ficar tão perto do que aconteceu! Qum morreu (milhões), quem fechou os olhos, muito triste e revoltante. Uma leitura extremamente dolorosa.

Ainda e Sempre o Mar