Este blog é criado para partilhar leituras, receber opiniões, fazer críticas sobre livros, resumos do que tenho lido. Sou um carente de leitura, um dia sem a companhia de um livro é um dia com sabor a vazio, assim já perceberam que sou um leitor compulsivo, amante de várias tendências literárias, mas já lá vamos..... 

Pensamento

O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo a meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe em redor.

William Faulkner, citado por Javier Marias

Antes de avançar para o tema dos livros propriamente dito, queria deixar aqui um pequeno auto retrato.... Sou uma pessoa que tem como princípios fundamentais, a tolerância, o respeito por ideias diferentes, tenham elas as origens que tiverem. Amante incondicional da paz, da amizade e da verdade. Sou um defensor da igualdade de oportunidades para todos, sem excepção. Escrevo sem adesão ao acordo ortográfico.  Amo o mar, o ser humano quando se comporta como tal, defendo o bem estar dos animais e não tolero violência. Sou fiel aos meus princípios... mas obviamente, como ser humano, cometo erros. Eis o Luís Miguel...... em poucas palavras. Bem vindos!

 

Livros, como é que alguém pode renunciar a algo tão mágico? 

Melhor entre os melhores? 

As Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar 

O melhor entre os melhores, inigualável, é impossível colocar em papel um tão belo romance histórico como este! Impossível! Uma carta do imperador Adriano ao seu sucessor, Marco Aurélio, escrita de uma maneira aberta, clara, franca, humana ,de uma erudição sublime sem mais, nem talvez, assim sou Eu, aqui me tens e à minha obra, escrita no leito da morte...uma obra prima inimitável! 

A vida de um grande homem. Daí o maior respeito pela verdade, mas atenção, quanto a mim e obviamente à autora, o maior silêncio e vénia respectivamente!

SUBLIME 

 

Agora falar de um autor do qual sou fã incondicional, e dos livros que tive o prazer de os "devorar". Richard Zimler

"Zimler usa a literatura para lembrar as terríveis abominações que levam o ser humano a destruir e a humilhar outros seres humanos […] e para apontar um caminho de redenção, de expiação e de acção jubilatória."

Eis os que li:

Anagrama de Varsóvia

Dedicado ao gueto dos judeus em Varsóvia na II grande Guerra, a cueldade dos nazis, a sobrevivência ou tentativa de fuga dos desterrados, em condições limite.

O Último Cabalista de Lisboa

Livro que descreve de modo cru e soberbo o progrom que teve lugar em Lisboa em 1506, linchamento, morte, tortura horrenda dos judeus/cristãos novos que lá viviam, tudo contado de modo real e descrito duramente. A história relativa a uma das páginas mais negras do passado, que se repetiu inúmeras vezes, infelizmente.

A Sétima Porta

Um livro carregado de simbolismo e de uma descrição impressionante da crueldade humana numa das piores épocas da história contemporânea, o período que antecedeu a II Grande Guerra, tendo como cenário, Berlim. A loucura, o ódio, a irracionalidade, o racismo, a tortura, o medo, a fuga.....mas ao mesmo tempo, a solidariedade, a razão, o amor, o humor....um livro marcante sem dúvida.

O Evangelho segundo Lázaro

Um ícone, a humanização de Cristo, pelos olhos de um amigo, Lázaro, a fé, o sentimento, as atrocidades cometidas pelos romanos e sacerdotes, a pobreza, mas acima de tudo, um hino à amizade incondicional. Escrita que nos prende, página a página. A maneira de escrever com narrador, realizada de modo sublime.

Meia Noite ou o Princípio do Mundo

Apaixonante este livro sobre a vida, um romance onde o tónico essencial e inseparável do princípio ao fim é a amizade, o saber perdoar, aprender, sofrer, viver! Gloriosamente escrito de um modo que não podemos deixar de nos apaixonar e entrar na estória onde a pedra de toque e o marco principal é o lutar enquanto acreditamos na liberdade, naquilo que somos e na verdadeira partilha. Fiquei triste por chegar ao fim do livro mas agradecido por tanto ter aprendido.

PENSAMENTO

pensei, que a liberdade vinha com a idade, depois pensei, que a liberdade vinha com o tempo, depois pensei, que a liberdade vinha com o dinheiro, depois pensei, que a liberdade vinha com o poder, depois percebi, que a liberdade não vem, não é coisa que lhe aconteça, terei sempre que ir eu.....

....ainda Zimler...

Goa ou o guardião de aurora

Na continuação do contado e descrito no "Último Cabalista de Lisboa", a saga da família Zarco, depois do que aconteceu em Lisboa no início do séc. XVI, a passagem por Constantinopla, eis que chegámos neste livro à Índia, e à personagem do bisneto de Berequias Zarco, o cabalista, o sofrimento inter-religioso entre cristãos, muçulmanos e judeus, situação por demais evidente, sobretudo na presença da inquisição através do Santo Ofício, levado pelos portugueses para Goa. A destruição e o fim de acreditar numa vida pobre mas possível entre pessoas de crenças diferentes. Tiago Zarco, personagem fulcral deste livro fecha com sofrimento e morte a esperança de união entre credos diferentes. 

Os dez espelhos

Ainda na sequência dos anteriores livros de Richard Zimler, a saga da família Zarco, de Abraão e Berequias até Benjamim e Ethan, a odisseia do povo judeu, o misticismo, a cultura judaica, o idhíce, o hebraico, os sentimentos obsessivos, a homosexualidade, tudo cabe num livro que foca desde os pogroms do já referido séc.XVI até aos dias de hoje, com uma paragem obrigatória e brutal no holocausto da II grande guerra perpetrado pelo nazismo. Afeiçoamo-nos às personagens.

À procura de Sana

Que se poderá dizer deste livro para além de ser excepcional, comovente, absorvente, histórico, actual. Resumidamente, estamos perante uma "masterpiece" que refere essencialmente um encontro fugaz, curto, ocasional mas marcante com uma mulher, Sana de origem árabe, actriz de teatro mímico, com um passado que, incansável e exemplarmente o autor não desiste de desvendar após assistir ao seu suicídio. Muitas surpresas, muitas viagens, muitos contactos, entre os quais se destaca o que teve com uma amiga de infância, Helena, esta de origem israelita. A união e a posterior separação das duas famílias, sem ódios mas, quase que inevitável devido ao eterno conflito, à eterna guerra israelo-palestiniana. Assim, desde esse facto, o que sobressai é a forte insistência em descobrir os porquês.....um hino à literatura.

Agora de uma autora completamente diferente mas pela qual me apaixonei, a nórdica, sueca, Camilla Lackberg, para mim, indiscutivelmente a rainha do thriller. Desde o primeiro livro conseguiu criar em mim uma associação muito próxima com as personagens que criou magistralmente, de modo inequívoco.

A descrição dos livros desta autora não obedecem à ordem de edição dos mesmos, mas à sequência de leitura que fiz, fui conhecendo, gostando e necessitando de repetir, tal a qualidade.

O Domador de Leões

Talvez um dos melhores policiais que li até hoje, alternância nos ambientes descritos, saltando com lucidez e suspense deveras surpreendentes. Uma história de horror levada a cabo por seres humanos considerados normalíssimos, ou seja, o que assistimos na vida real diariamente. Final que nós próprios vamos acompanhando racionalmente página a página. Autora que teria que forçosamente de reler.

A Princesa do Gelo

Na linha do anterior livro que li desta escritora sueca, trata-se de mais um romance policial intrincado que nos prende a atenção até ao fim e que nos deixa sempre preplexos com o final da trama ficcionada. Os sentimentos das personagens envolvidas são extremamente bem introduzidos e paralelamente à resolução do drama/crime que se vai desenhando. Como disse no comentário anterior relativo a Camilla, vou ler mais.....

Os Gritos do Passado

Outra lição em como escrever um livro de suspense de quem fiquei fã em definitivo. Suspense, descrição pormenorizada do sentir das personagens em situações limite, críticas veladas e crenças levadas ao histerismo, radicalismo e morte. Crimes por solucionar com o local bem identificado na Suécia, com a familiaridade com as personagens a aumentar com o leitor. Muito bom!

Ave de Mau Agoiro

Amarrado até ao fim em mais este livro, manutenção de um suspense altíssimo, alterna com a parte íntima dos intervenientes dos livros de Camilla, o que torna a leitura mais saborosa, intimista e atraente. Foi o quarto livro que li desta autora...obviamente continuei a ler, porque são hipnotizantes.

PENSAMENTO

"As pessoas educam para a competição e esse é o princípio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz."

Maria Montessori

Os Diários Secretos 

Intensidade, emoção, suspense sem limites. Mais uma vez deixa-nos presos até à última página com uma enorme sofreguidão. Quanto mais leio desta autora e da proximidade que se tem com os personagens, mais apaixonado fico pelo modo de ela escrever.

A Ilha dos Espíritos

Mais um, que nos consegue amarrar até à última letra. Este thriller é simplesmente espectacular, mais uma vez junta o suspense do crime, do fantástico, das personagens criadas e alimentadas, com um espírito imaginativo que parece realidade, com a vida privada dos ilustres "convidados" principais, Erica, Patrick, Anna, Dan, Bertil, Annika, Paula, Martin, Gösta, Erling, Rita...!, as suas dores, as suas alegrias, os contrastes de género e relacionais...até ao próximo!

O Olhar dos Inocentes

Excepcional, continuação sem surpreender do suspense, estes livros não se lêem, absorvem-se, tal a intensidade da história que lhes serve de base, as personagens já faladas, às quais estou completamente familiarizado, a maneira de escrever, saltando do passado para o presente, colocando o leitor numa ânsia de continuar a ler até acabar....finais surpreendentes, emoções misturadas e integradas com a resolução dos crimes como já nos habituou. Até o próprio cenário sobre e onde os livros são escritos levam-nos a visualizar o ambiente envolvente.

A Menina na Floresta

Camilla no seu melhor, 700 páginas fulgurantes, emocionantes, de uma actividade e mutações constantes de tema que nos faz viajar num suspense entonteante. Desde a a habitual dicotomia que nos habituou entre o caso policial de Patrick e seus colegas, Martin, Paula, Gösta, Mallberg, Annika, tentam e com várias vicissitudes conseguem resolver o crime engendrado, e a vida familiar, com o papel destacado de Erika, mulher de Patrick, seus filhos, pais, irmã, enfim, muitas emoções em jogo. Para além disso, dizia eu, fala dos problemas de uma pequena localidade, da aceitação ou não da homosexualidade e dos refugiados, da adolescência, enfim de uma imensidão de temas que nos prendem literalmente ao livro. E a senda continuará!

Uma Gaiola de Ouro

O melhor do melhor, argumento fantástico contado e decorrendo de modo impressionante. Os normais saltos no tempo, que esta autora se serve e encanta para nos incluir no espírito da estória. A vingança, Revenge, é este o facto servido frio neste livro, uma mulher, primeiro Matilda depois Faye, devido ao passado horroroso na infância que a levou de fuga em fuga. Casou, deu tudo, foi desprezada, enganada, traumatizada, deixada na miséria, não dava ouvidos a quem combatia a sua cegueira. Depois, bem depois, foi o reverso da medalha, com um fim completamente inesperado, brutal. Convém referir que esta mulher sofreu mas, para isso cometeu crimes...uma vida rodeada de amigas que lhe deram a mão e ela retribuíu com a utilização do homícidio.

Faz agora um ano, Setembro de 2018, estava eu numa esplanada em Sagres, no meu período de férias, quando inadvertidamente olhei para o lado e vi uma senhora a ler um livro. Ora devido à minha curiosidade pelo tema, vi que se tratava de um livro de Júlia Navarro, de quem nunca tinha lido nada, tratava-se do livro "O Sangue dos Inocentes", de imediato fui ler a sinopse do livro a qual me pareceu interessante.......resultado, começou uma paixão que tem durado este ano, no qual já li 5 livros.....uns excelentes, outros igualmente muito bons....

Ora vejamos.......o que temos desta senhora que nasceu em 1953 que é jornalista mas foram os romances que escreveu que a tornaram conhecida internacionalmente, vários prémios literários a distinguiram.

O Sangue dos Inocentes

Importante testemunho do que é a radicalização do discurso de ódio entre religiões. Baseado, no início, numa crónica escrita no séc. XIII, na altura do massacre dos Cátaros pelos cristãos romanos, desenrola-se nos dias de hoje com os atentados que infelizmente vivemos quase diariamente, perpetrados em nome de um deus, como se esse "deus" não fosse, para quem é crente, o mesmo em todas as religiões. A luta entre os moderados e radicais islâmicos, a vontade de um nobre enlouquecido em fazer vingar a morte dos antepassados Cátaros, tudo junto com o malfadado dinheiro, negócios e armas. Uma leitura atenta deste livro mostra-nos cruamente como se mata e morre, se faz sofrer inocentes para e por nada. Personagens importantes, o professor Arnaud, que sofreu a perda da mulher e filho pelo facto de serem judeus durante a II Grande Guerra, o padre Aguirre que o conheceu e desvendará os atentados evitando que os mesmos atingam outras dimensões, os investigados europeus, o conde Raymond d'Amis, o louco vingativo......uma memorável história, avassaladora.

Dispara, eu já estou morto

Intensamente apaixonante, uma descrição, através de uma narração sobre duas famílias Zucker e Ziad, judia e árabe, as suas incríveis e incontornáveis amizades, os seus conflitos dolorosos, chega-se à verdadeira mágoa do conflito israelo-árabe e à conclusão que tudo podia ser evitado se o diálogo prevalecesse, o sofrimento de ambos os povos não fosse causado por um pedaço de terra ou por terem o mesmo deus com um nome diferente, os radicalismos, a interferência das potências estrangeiras durante e o pós II Grande Guerra, tudo junto numa lamentável sucessão dramática de mortes de ambos os lados. Portanto, de uma paz tão perto de se concretizar entre dois povos que sofreram e sofrem de maneira indescrítível, passou-se a um ódio incompreensível. Tudo isto contado neste livro de modo brilhante e comovente.

Pensamento

"Aconteça o que acontecer, nunca permitas que nada nem ninguém te converta em alguém que não se pode olhar ao espelho sem sentir vergonha"

História de um grande canalha

Impressionante a descrição ao longo de um livro, a narração do que é realmente uma pessoa desprovida literalmente de qualquer tipo de emoções, de qualquer tipo de sentimentos. Que existe apenas para se autodestruir, destruindo todas as outras à sua volta, independentemente de gostarem dela ou não! A história de um canalha é, em suma, um espelho nítido do que uma má pessoa, sem carácter, sem remorsos, sem amor para dar, pode dinamitar tudo o que o rodeia. Provoca mortes, provoca intrigas, demonstra uma brutal insensibilidade e coloca no lugar das outras pessoas aquilo que ele é na realidade. Uma parte relevante deste magnífico livro, resulta da autora colocar textos em itálico sobre o que seria o comportamento apropriado em determinadas circunstâncias, mas em que a personagem, "canalha", faz exactamente o contrário, "eu podia ter feito assim...mas...".

O Santo Sudário

Um livro na linha que esta autora nos habituou, muito bem descrito o cenário onde se passa a estória, neste caso, mesmo história, pois trata-se de um relato muito interessante sobre a ordem dos templários, o aparecimento do sudário, a luta pela sua posse até aos nossos dias, desde que Cristo terá sido morto. Os milagres que esse tecido de linho proporcionava ou a crença de quem neles acreditava, levou a um encadeamento de sequências que metia grandes e misteriosos cavalheiros ricos e celibatários, os actuais guardadores do templo, a comunidade cristã da antiga cidade onde o tesouro estaria guardado, Edessa, a polícia dedicada à protecção da arte em Turim, que foi quase completamente dizimada ou saiu cheia de feridas após conseguirem decifrar o caso e finalmente, mas não menos importante, uma jornalista que se infiltrou, levando a peito a pesquisa que terminou com a sua morte. Uma ficção com laivos de verdade.

 

Não Matarás

Mágico, doloroso, chega a ser cruel este livro, mas a realidade é cruel, nomeadamente, na vida que aqui está soberbamente reproduzida com todo o pormenor e até de maneira repetitiva como se fosse um sublinhar do narrado. Tendo como pano de fundo a guerra civil espanhola, com a inusitada crueldade a ela associada, ódio levado ao extremo entre irmãos, primos, pais, filhos, vizinhos, amigos, por serem nacionalistas ou republicanos, e a guerra mundial que se sucedeu com o drama causado, é no entanto a história de várias famílais, sobretudo os Vilamar e Garzo. Estes destacam-se, porque os desencontros, as incompreensões, o amor, a loucura, as razões perdidas, as hesitações, as decisões e mesmo a obsessão, nos levam às profundezas das emoções do ser humano, Júlia Navarro consegue colocar em quase 1000 páginas, o ser humano a nu, toda a sua complexidade que faz parte do sentir. Fernando e Catalina, as principais personagens, são o espelho do amor mais puro mas eternamente adiado entre pessoas, por causa das circuntâncias e sobretudo, por causa.....delas próprias.

PENSAMENTO

- Se eu tivesse a maturidade de hoje, não teria errado tanto....

- Se você não tivesse errado tanto, não teria a maturidade de hoje.

Continuo neste blogue, fazendo uma resenha breve da biografia de vários escritores de que tenho lido vários livros e que são imperdíveis. De seguida aflorarei esses livros com aquilo que me ficou enquanto neles "viajava".

Leon Tolstói ou Lev Tolstói (1828-1910), escritor russo, nasceu numa quinta em Iassnaia-Poliana, perto de Tula, autor de vários livros, entre os quais ganhou destaque "Guerra e Paz". Tendo ficado orfão muito cedo de pai e mãe, apenas com 9 anos, foi educado por familiares e mudou-se para Kazan. Obras excepcionais que ele nos deixou, algumas das quais demoraram cinco anos a escrever. Mais tarde a morte sucessiva de três filhos e de uma tia, abalou definitivamente a sua vida, tendo fugido sem destino da sua casa, tendo falecido de pneumonia, sózinho numa estação ferroviária de Astapovo (hoje tem o seu nome).

Fiódor Dostoiévski, (1821-1881), escritor russo do séc.XIX, considerado um dos maiores romancistas de todos os tempos. Um dos pais do existencialismo. escreveu novelas, romances e contos inesquecíveis. Nasceu em Moscovo e morreu em São Petesburgo.

Amos Oz, (1939-2018), nascido em Jerusalém, viveu em Arad onde se dedicou à militância a favor da paz entre palestinianos e israelitas. Professor na universidade Ben-Gurion no deserto de Negev. Escritor e jornalista, é autor de uma vasta obra que inclui romances e ensaios traduzidos em mais de trinta línguas. Foi distinguido por várias vezes, nomedamente pelo prémio Goethe e o prémio Princípe das Astúrias.

Arturo Pérez-Reverte, nasceu em 1951 em Cartagena. Licenciado em Ciências políticas e jornalismo trabalhou em vários orgãos de informação. Ganhou um prémio pela cobertura para a TVE da guerra na ex-Jugoslávia. Neste momento dedica-se, exclusivamente à literatura.

Elena Ferrante, curiosidade das curiosidades, ninguém sabe quem ela é, houve inclusivamente quem suspeitasse que ela fosse um homem. No entanto, mistérios à parte, a saga composta por A Amiga Genial, História do Novo Nome, História de quem Vai e de quem Fica e História da Menina Perdida, está, definitivamente, destinada a tornar-se um clássico da literatura europeia do séc.XXI.

Orhan Pamuk, nasceu em 1952 em Istambul, no seio de uma família próspera da classe média turca. Exerceu várias profissões depois de se formar em jornalismo e arquitectura em Istambul. Trata-se de um reputado comentador, embora se defina como um autor de ficção. Foi prémio Nobel da Literatura.

Carlos Ruiz Zafón, nasceu em 1964 em Barcelona, iniciou a sua carreira em 1993 com o Principe da Neblina, desde aí não deixa de nos surpreender com livros cheios de suspense e história, sobretudo de Barcelona, sua terra natal.

Simon Sebag Montefiore, nasceu em 1965. Passou a maior parte dos anos 90 a percorrer o ex-império soviético, daí os volumes "Os Romanov", autor de romances apaixonantes e carregados de História, tema pelo qual sou amante incondicional.Vive em Londres com a sua mulher, a romancista Santa Montefiore e dois filhos.

Margaret Atwood, nasceu em Otava, Canadá em 1939. É a mais celebrada escritora canadiana e publicou mais de quatro dezenas de livros, de ficção, poesia e ensaios. Foi a primeira vencedora do prémio literário de Londres. Vive em Toronto com o escritor Graeme Gibson.

Lars Kepler, pseudónimo de uma dupla de escritores de sucesso na Suécia, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. O Hipnotista, primeiro volume da saga, alcançou um enorme sucesso internacional. Comparo a sua escrita com a de Camilla Lackberg.

Marguerite Yourcenar, pseudónimo da escritora francesa Marguerite de Crayencour (1903-1987). Nasceu em Bruxelas e naturalizou-se americana. Brutais, As Memórias de Adriano, que já aqui falei neste blogue e por exemplo a Obra ao Negro. Foi a primeira mulher de Letras a ser eleita para a Academia Francesa. Brilhante.

 

Leon Tolstói

Guerra e Paz

Um hino à literatura, uma descrição sublime, minuciosa, romanceada, crua e crítica da guerra napoleónica aquando da invasão da Rússia czarista. A vitória dos russos, a que preço, como foi efectivada, as batalhas, o modus vivendi das civilizações, os aliados, as personalidades de Bonaparte e Alexandre. Notável.

Anna Karenina

Outro poema em prosa, literatura sagaz, crítica da vida qua a nobreza russa vivia nesses tempos, o confronto entre os ambientes de São Petesburgo e Moscovo, as lutas políticas associadas com diálogos muito bem conseguidos, as paixões, as descrições da beleza e uma forte abordagem sobre as lutas sociais.

O Diabo e outros Contos

Contos muito bem escritos, como imensa sabedoria por Tolstói, só ele poderá colocar em papel este tipo de descrição tão cativante. Prende as pessoas, página a página. Finais curiosos.

Ressureição

Brilhante, forte, crítico como sempre, mordaz mesmo, Leon Tolstói escreve um livro sobre o amor, a prisão, o distanciamento, a fome, as gritantes diferenças sociais, o orgulho, a teimosia, a Rússia, a Sibéria nua e crua.

A Morte de Ivan Illitch

Muito bom, algum tempo depois, revisitar o Tolstói, leitura única, maneira de escrever simplesmente complexa, que me perdoem o paradoxo. Neste livro fala da morte estando vivo, sofrendo. O homem enquanto ser individual, físico vai para o caixote do lixo da natureza. Vive-se uma vida má e visto que uma vida má é apenas a morte da vida!

PENSAMENTO

Não se alcança a liberdade, buscando a liberdade, mas sim a verdade, sem ela nunca seremos verdadeiramente livres.

Fiódor Dostoievski

O Eterno Marido

Primeiro livro que li deste monstro da literatura mundial do séc. XIX, livro curioso, escrito com muito humor, abordando os temas do ciúme, despeito, traição, vingança!

Crime e Castigo

Brutal este livro que fala das emoções, sentimentos, sofrimentos, amor, miséria, amizade....mas sobretudo o que um ser sente, a sua loucura e o seu juízo! O porquê das coisas ou a não justificação das mesmas. O crime efectuado sem razão credível aparente o que o torna ainda mais hediondo e incompreensível, o castigo longo que se segue com o pensamento do que fazer ou não fazer a seguir. Esse sofrimento, essa introspecção descrita de modo, diria, perfeito. Finalmente o bom epílogo, a esperança do renascer como pessoa, com o voltar a acreditar no amor, no acreditar em si.

Os Irmãos Karamazov

A intraquilidade, a inquietação, sempre presentes, o crime (parricida), o ciúme, a doença entre a loucura e dor física e emocional. Os irmãos, todos diferentes, Dmitri, Ivan e Aleksei, filhos de um louco déspota, propositadamente chamado Fiódor, são no fundo as personagens que o autor encarna na sua vida real, o crime cometido sobre o pai, por nenhum dos filhos mas que inculpa um deles, a doença, a epilepsia, o ciúme, com a luta sexual entre rivais, eis Fiódor Dostoievski, eis este romance poderoso! Descrição baseada numa escrita de fácil leitura, típica de um autor russo.

PENSAMENTO

Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a ideia da inexistência de Deus. O homem inventou Deus para poder viver sem se matar.

Amos Oz

 

 

 

 

De Amos Oz, li vários livros, tendo começado a sua descoberta através de Judas, que foi uma surpresa agradável, que iniciou o meu "namoro" com este escritor israelita, judeu, que conta com extrema criatividade e saber histórico a vida em Jerusalém, as dúvidas, as certezas, a luta interior, o ser fiel ou não a Ben Gurion, a história de Israel aquando da presença britânica com um toque de um amor impossível! Judas, o verdadeiro Jesus?!, depois deste estupendo livro li, Uma História de Amor e Trevas, que se trata de um monumento à maneira de bem escrever, uma autobiografia escrita de modo único e especial. Como falar de si próprio com clareza, imparcialidade, autocrítica que agarra o leitor com mestria até ao fim. Logo de seguida, Cenas de Vida de uma Aldeia, que se trata de uma apaixonante visita guiada a uma aldeia israelita, com os pormenores próprios de quem lá vive e se entrecruza, muito cativante, Caixa Negra, o ponto, Palestina versus Israel, todo o sentimento de conflito e o que a ele está associado, com reflexo nas relações interpessoais de um casal.

Depois de um breve interregno seguiram-se outros, como O Meu Michel, simples, triste, história de amor, o casal, um casal, qualquer casal, suas emoções, seus pensamentos, seus amores. Bem mais tarde, um livro que estava mesmo à espera de um escritor como Amos, Caros Fanáticos, que é um autêntico hino à tolerância, esmagador, lido em menos de um dia. A defesa intransigente da paz, respeito mútuo, tolerância, capacidade de imaginação, curiosidade! Nada é irreversível, é possível algo de bom entre Israel e a Palestina, apesar dos fanáticos de ambos os lados. Enquanto houver os ultra ortodoxos israelitas e os radicais islamitas, muito difícl ou impossível se torna a possibilidade de efectivar a paz naquele espaço de terra. Uma nação binacional? Não! Mas dois estados vizinhos com fronteiras definidas e que com o tempo possam viver definitivamente em paz, abrindo-as de par em par. Porque não? Os judeus têm direito a uma terra para viver, os palestinianos têm esse mesmo direito, logo esperamos porquê?

PENSAMENTO

Toda a boa literatura nos transforma em homens e mulheres de outras culturas, de outros países, de diferentes religiões, diferentes tempos e nos faz sentir em casa em lugares muito distantes. É esse o milagre e a magia da literatura.

Amos Oz

Não desista só porque está difícil. As melhores coisas levam tempo; outras o tempo leva.

Arturo Perez-Reverte

Eis os livros que me tornaram também apreciador deste autor

O Assédio

Um livro histórico relativo ao tempo da guerra peninsular, com o cerco da França napoleónica a Cadiz......crimes e guerra, imagem que fica.

Um Dia de Cólera

Alucinante descrição do que se passou em Madrid durante a ocupação napoleónica! Um dia de sangue, morte, revolta dos ocupados contra os invasores/ocupantes! Cruel descrição, parece que estamos presentes naquela atmosfera asfixiante.

Homens Bons

Depois dos dois livros acima referidos, este surpreendeu-me ainda mais pela positiva, os anteriores eram fortemente armados, crus e descritivos de realidades sanguinárias passadas em Cadiz e Madrid, este é um monumento ao iluminismo versus obscurantismo, à razão versus religião, ao status quo versus revolução, a Paris versus Madrid, ao progresso versus estagnação, uma aventura à volta da cultura e do que ela representa para a educação dos povos e nações.

Eva

Na linha dos anteriores, onde consta muito movimento, diálogos, lutas intensas bem descritas ao pormenor. Este romance passado durante a guerra civil espanhola, entre Salamanca e Tânger, com os republicanos por um lado e os nacionalistas pelo o outro. Lorenzo Falcó, a personagem principal deste livro e deste autor, desempenha um papel de frio, calculista, sentimentalista, galã, desconfiado, seguro e sarcástico. Aliás este livro é um sorriso triste e sarcástico perante guerras fraticidas.

Sabotagem

Um clássico do cinismo, da crueldade, da frieza, do sangue frio, da ausência de sentimentos. História passada entre a França e a Espanha, igualmente como o anterior, durante a guerra civil espanhola entre republicanos divididos e falangistas nacionalistas. Enquanto a guerra matava cruelmente, engendrava-se um clima de traição, sagacidade e tropelias que nos levam ao desassossego. Reverte consegue criar a imagem de um mal terrível, com uma ironia brilhante, em algo frio, distante e que chega a desconsertar. Falcó, o agente impiedoso mas cheio de humor e frio como uma lâmina, comanda e preenche a história.

Elena Ferrante

Como já referi, Elena Ferrante, que muito poucas pessoas a devem conhecer, escreveu, em quatro livros inesquecíveis, a história de aquilo que vivemos no dia a dia, que nos faz entrar nas suas páginas escritas de modo tão pessoal, colocando no livro aquilo que sentimos e não verbalizamos. Nápoles, vidas, amizades inquebráveis, está, aqui descrita, indestrutível apesar dos golpes que a vida dá. Começa com a A Amiga Genial, segue-se outro a que chama História do novo nome, em que continua a reforçar os relacionamentos interpessoais e intrapessoais das pessoas com as quais gradualmente nos fomos identificando e conhecendo. Na História de quem vai e quem fica, Elena, prossegue a contar esta saga, o "duelo" entre famílias, locais, emoções, política, desequílibrios do sentido de vida e de educação, sobretudo, focando-se numa ligação fortíssima, doentia e saudável em simultâneo entre duas soberbas personagens, Elena e Lila. Finalmente, no quarto livro, História da menina Perdida, cada linha, cada capítulo, cada livro, nomeadamente este, torna fantástico este romance. Sublime o contar da amizade, do ódio, o amor, a paixão, os contornos das relações que se cruzam e entrecruzam incessantemente, os falhanços, os êxitos, os filhos, a morte, as rugas, as dores! Obrigado às incontornáveis Elena Greco e Rafaella Cerrullo. Mesmo Genial!!

Pensamento

"Sou o pássaro que canta dentro da tua cabeça, que canta na tua garganta, que canta onde lhe apeteça".

Manuel António Pina

Orhan Pamuk

Segue-se um breve historial de cada um dos livros que li escritos por este extraordinário escritor turco.

Neve

Romance de uma beleza e misticismo extraordinários, escrito poeticamente, fala-nos de conflitos étnicos, religiosos, da pobreza, do clima (a neve sempre presente), a Turquia esquecida, tudo isto embrulhado em seda, isto é, com amores intensos mas impossíveis, paixões ardentes, lutas interiores, felicidade versus extrema infelicidade.

A Mulher de Cabelo Ruivo

Livro imensamente rico em leitura poética e que nos faz pensar nas relações entre pais e filhos, os parricidas, os filicidas, a ausência de uma figura que seja o pilar do crescimento, a revolta que daí nasce e se propaga. Os equívocos da vida. A redundância da morte, da paixão tornada em sonho, a fuga, o temor, a perda, a desorientação, a política, a religião, tantos condimentos.

Uma Estranheza em Mim

Delicioso, fala do que é o normal crescimento de uma cidade, brutal crescimento, como Istambul, gerações de pessoas sentimentalmente ligadas à sua aldeia e "despejadas" na grande metrópole, os costumes como a venda da boza, de iogurtes por vendedores ambulantes, a mudança derivada do correr dos tempos. A crítica e terna descrição dos relacionamentos entre casais "arranjados", das fugas como consequência da não aceitação do que era tradicionalmente imposto, da rivalidade entre religiões, tema quase sempre presente em toda a literatura. A figura de Ataruk, dos religiosos e suas mesquitas atravessa literalmente a história, o que sinceramente me encantou. Mevlut é a figura central onde entronca toda esta genial estória.

Pensamento

"A felicidade que sentira apenas alguns instantes antes, agora dava lugar, a uma terrível certeza que a iria perder"

Orhan Pamuk

Carlos Ruiz Zafon

Zafon, Barcelona, eis o centro do mundo dos livros de Carlos Ruiz Zafon que tanto aprecio devido ao mistério e suspense que envolvem os seus livros.

Iniciei a viagem pelo Labirinto dos Espíritos, este é, sem dúvida um livro marcante para quem tem o privilégio de o ler. Repleto de mistério, suspense, tramas, emoção, história, obviamente Barcelona, amizades, ódios, traição, tortura, política, demência, sangue, amor, destino, livros! Uma viagem ao nosso âmago contada através de uma narrativa brutal. Obrigado ao autor, naturalmente, mas também às personagens por ele criadas, Fermin, Daniel, Alicia, Julian, Vargas, Bea, Hendaya, Leandro, Maurício e tantos outros companheiros que me acompanharam. 800 páginas como se fosse apenas 8, e com pena de chegar ao fim.

Outras viagens, na sua companhia, se seguirão.

Pensamento

Fugir, mas para o interior de mim mesmo, para ser verdadeiramente livre.

Simon Sebag Montefiore

Simon Sebag Montefiore, um romancista histórico inigualável, li Os Roamnov I e II, Jerusalém.

Os Romanov volume I

Um colosso este livro que abrange mais de dois séculos da História da Rússia, conta-nos de modo despudorado a vida dos seus imperadores/imperatrizes, czares e czarinas que marcaram de modo indelével a vida de milhões de pessoas, dentro e fora do território russo. Uns mais do que outros, como, Pedro o Grande, Catarina I e Alexandre I sobretudo, deixaram uma marca fortíssima e uma herança perpétua.....que hoje ainda se sente no modus vivendi dos russos. Uma vida dissoluta nas cortes de Petesburgo e Moscovo, guerras, traições, mortes, assassinatos, torturas, bacanais, amantes, servos, nobres, bastardos....infindável, mas simultaneamente, feitos imperiais na base do esforço e crueldade.

Os Romanov volume II

Fabuloso, na sequência cronológica do primeiro, o descalabro, a queda de um império que só existia como nome, uma autêntica autocracia destinada ao fracasso e ao insucesso. O declínio de uma dinastia por nunca colocar em primeiro lugar a dimensão real de um povo e de um país. O final trágico, sangrento, de um Império, dos seus representates dinásticos agarrados ao poder, mal aconselhados, místicos e isolacionistas...caíram de joelhos, diria, de rastos, perante uma ideologia, que de outro modo acabaria por agir de maneira idêntica, adulterando os seus princípios. Um início com imperadores, referidos no I volume, destruídos pela inabilidade e incompetência autocrática e ditatorial de marionetes cruéis.

Jerusalém

Depois dos dois volumes dos Romanov deste autor, pensei que teria lido o melhor do que existe sobre história. Enganei-me, Jerusalém é simplesmente fantástico, soberbo e brutal. A biografia de uma cidade, centro do mundo das religiões, baluarte das guerras, cidade lendária da destruição e do renascer. Séculos da vida de uma cidade que teve momentos de tristeza e vazio até ao estar cheia de oriundos de todas as partes do mundo. O principal é a luta terrível, que ainda hoje persiste, entre judeus e muçulumanos e cristãos. A quem pertencem as pedras, os túneis, os lugares sagrados, os arcos, as muralhas, as ruelas???? Todos têm razão, todos a perdem de seguida, devido ao fanatismo. Muitos como Ben-Gurion ou Hussein queriam moderar o conflito e internacionalizar a cidade, todos lá cabiam, todos lá cabem, mas há e haverá sempre quem queira mais e mais. E eis a saga de uma cidade que não tem mais que ódio e paixão.

Margaret Atwood

Foi uma surpresa caída sabe-se lá donde, só sei que segui as critícas de uma série que passava na TV, que falavam dela de modo muito elogioso, assim através disso fui dar com um livro sobre essa série, A História de uma Serva, apaixonei-me por esta escritora canadiana, trata-se de um livro arrepiante sobre o que não deixa de ser possível acontecer nos termos em que a sociedade tem evoluído, com o seu radicalismo religioso, valores intrinsecamente homofóbicos, racistas, ultra conservadores, intolerantes. Como uma sociedade, uma nação, uma potência se pode transformar num enorme campo de concentração, onde as mulheres são reduzidas a servas e os homens carregados de inutilidade, excepção feita aos considerados líderes e fabricantes cruéis de um tal regime, mas simultaneamente, infelizes e limitados. Gostei tanto que tempos depois, adquiri, Sementes de Bruxa, que me defraudou um pouco, porque tinha colocado a fasquia bem alta, mas de qualquer modo, prendeu-me até ao final, escrito com imaginação, tendo como base, a vingança, consegue criar um ambiente onde as emoções, a imaginação, o companheirismo, mesmo que por conveniência estão presentes. Final expectável desta feita, sem surpresas e sem perdas, diria sem derramamento de sangue. A curiosidade, apesar de tudo, manteve-se e ainda bem. Grace, foi uma leitura tão boa! A inquietação que este livro nos oferece, o suspense pendurado em cada página cronologicamente marcada de modo brilhante. O melhor dos três livros lidos desta autora. Um crime, um culpado, uma culpada?, e é ao longo do livro que vamos conhecendo a presumível criminosa frívola ou a inocente ingénua ou , ainda, a louca com amnésia. Uma mestre nestes livros baseados em factos reais com a parte ficcionada a ter o seu cunho muito próprio. Acabamos o livro sem ter a certeza se o crime foi cometido pela personagem, Grace, ou não, uma procura incessante a nível psicológico e físico! Libertada após quase 30 anos de clausura por um crime que.......

Pensamento

A guerra é o que acontece quando a linguagem falha.

Margaret Atwood

Lars Kepler

Conforme referi acima, este casal com o nome de autor, Lars Kepler, são para mim, a par de Camilla Lackberg, os reis do thriller. Depois do primeiro livro, que me foi ofertado pela minha filha, A Vidente, um dos melhores, alucinantes, surpreendentes policiais que já tive o prazer de ler. A velocidade dos acontecimentos envolventes prendem-nos até ao fim de modo suspensivo verdadeiramente brilhante. O facto do livro ser constituído por inúmeros pequenos capítulos, não nos dispersa e foca-nos num seguimento profundo e num acompanhamento do raciocínio que nos leva para um lado, sendo que de repente lá estamos numa teia com surpresas brutais. 

Dizia eu, que depois deste livro, não pude deixar de ler mais, em catadupa, tal a maneira emocionante como estão escritos. Seguiu-se, O Executor, na onda do anterior, um policial estonteante até ao final brutal e emocionalmente violento. Os tais capítulos pequenos não nos deixam margem para questionarmos e pararmos. A personagem principal, Joona Linna é soberba. Depois foi, O Caçador, Joona Linna e Saga Bauer, leva-nos a ler como se tivessemos a ver imagens, de cortar a respiração. O Homem da Areia, deixa-nos perplexos e desejando mais, um thriller gigantesco com um suspense inenarrável, aguardando sempre que a saga continue, arrepiante. E continuou com O Regresso do Hipnotista, estória galopante, um argumento contado de maneira a nos manter completamente rendidos e presos até ao fim daquelas páginas, e por fim, por enquanto, espero, Lazarus, uma luta de Joona Linna e Saga Bauer contra um inimigo tenebroso, tortuoso, digno de constar nos "books" das trevas. Livro marcado por um suspense de loucos, tornando-se irrespirável dada a espiral de terror indescritível. Aguardemos....mais.

Pensamento

Perdoa-me se continuo a fazer pouca ginástica, se continuo a fazer coisas como poemas de amor. Enquanto tu, de mãos no volante, continuas a entrar na minha rua em sentido contrário.

Marguerite Yourcenar

Após ter referido no início que As Memórias de Adriano desta escritora foi o melhor entre os melhores, não posso de fazer referência a outro monumento literário que saboreei, A Obra ao Negro, passado no séc. XVI, período negro da humanidade dada a intolerância religiosa e as barbaridades cometidas por católicos, reformistas, luteranos, contra-reformistas, entre eles e contra os que professavam o judaísmo e mais o ateísmo que era visto como uma blasfémia e anti-natura, as guerras, as vergonhas, o constante medo de ser denunciado, tudo isso fez parte da desumanidade da época. O que difere este magnífico romance de outros sobre a mesma época e tema, é o facto da autora criar uma personagem que atravessa sessenta anos desse período negro, como médico, benfeitor, tolerante e ateu sem saber mesmo se o era realmente, não tinha a fé instalada no seu imo, assim, desta maneira, a leitura deste livro é simplesmente um regalo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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